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Esforço ou resultado?
Herdamos a cultura de valorizar em excesso o esforço das pessoas. Em determinados momentos, chegamos a confundir esforço com resultado. Esforçar-se não significa competência nem resultado. É muito comum encontrarmos profissionais que se esforçam muito e acabam fazendo isso duas vezes: uma para tentar alcançar seus objetivos e outra para tentar explicar por quê não os atingiu.
Por outro lado, encontramos pessoas que, com menos esforço, atingem resultados surpreendentes. Nesses casos, existem duas situações: ou o profissional é sobrecarregado com metas de resultados maiores que a dos colegas ou ele aprende a produzir só o suficiente e enrolar o resto do tempo. Faça o teste do quadro abaixo. No seu dia-a-dia, você estaria em qual quadrante: muito esforço e pouco resultado, muito resultado e pouco esforço, muito resultado e muito esforço ou pouco esforço e pouco resultado?
É comum a gente pensar em muito esforço e muito resultado. Isso porque a sensação do esforço supera a nossa capacidade de identificar novas formas de trabalhar e de produzir. As rotinas e a nossa experiência acabam criando blindagens que nos impedem de enxergar novos métodos de produção. Será que não existem tecnologias que poderiam aumentar nossa produtividade e reduzir o tempo despendido em cada tarefa?
Quando precisamos de um relatório importantíssimo, e ele é conseguido a duras penas pela equipe da informática, o que enaltecemos é o esforço, o fato de todos terem se desdobrado por madrugadas e finais de semana para consegui-lo. Isso reforça o modelo no qual o esforço tem que ser, no mínimo, igual ao resultado. Quem seria o maluco de propor um pequeno software para a diretoria ter esse relatório a qualquer hora e com um simples comando?
Contratamos e somos contratados por horas trabalhadas e não por resultados alcançados. Um modelo ultrapassado e criado numa época em que era difícil apurar resultados individualmente. Com o advento da informática, hoje é plenamente possível acompanhar desempenhos e produtividade em qualquer atividade. Será que todos os funcionários que têm o mesmo salário para trabalhar 40 horas por semana apresentam o mesmo esforço e o mesmo resultado?
A impressão que dá quando olhamos a história pós Revolução Industrial é que construímos uma gigantesca penitenciária de trabalhos forçados em regime semi-aberto. Todo mundo tem que trabalhar de 8:00 às 18:00 e pronto. Quem consegue produzir mais, que diminua a velocidade e se nivele aos menos produtivos. Um dia teremos a oportunidade de fazer um "combine-se" entre empregado e empregador pautado nas expectativas de resultados de ambas as partes. Aí o interesse de cada um vai ser o de agregar valor e se libertar da prisão que nos impõe a falta de tempo e a necessidade de sofrer para ser reconhecido.
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