|
O sonho não pode acabar!
Uma empresa começa pelo sonho de seus acionistas. Sonhar com um produto diferenciado, com um atendimento impecável, com custos competitivos, com velocidade de resposta e com vantagens competitivas notáveis faz parte do dia a dia dos administradores.
Tudo parte de sonhos. Sonhos de empreendedores, de pessoas que fazem o mundo acontecer.
Quando a empresa está começando, os sonhos são mais palpáveis e empregadores e empregados compartilham do mesmo sonho, do mesmo objetivo. Afinal de contas todos trabalham muito próximos e os sonhos podem ser compartilhados todos os dias.
Quantas empresas crescem rapidamente porque conseguem sonhar e implementar seus sonhos? Empresas que nem existiam se posicionam com velocidade junto a consumidores exigentes e infiéis.
Este posicionamento acontece porque estas empresas conseguem identificar e realizar os desejos dos clientes em potencial. Através de um novo produto, uma nova embalagem, um cheiro, um formato ou uma nova função estas empresas também realizam sonhos, desejos. Os sonhos de ser mais bonito, mais feliz, mais moderno, mais sensual, mais poderoso ou mais alguma coisa estão presente nas relações de consumo. O consumidor sonha com produtos e serviços que facilitem sua vida ou que fortaleçam a sua identidade.
E por falar em sonho, quem é que nunca sonhou com um bom emprego? Um emprego onde cada um possa se realizar, contribuir, fazer acontecer.
Quanto sonho existe em torno de uma empresa! O sonho do empregado, o sonho do empregador e o sonho do cliente. Sonho pressupõe futuro, objetivo, desejo. Sonho é o que se quer, o que nos move.
Quando a empresa cresce, parece que o sonho acaba. O empregador fica distante do empregado. O sonho passa a chamar planejamento estratégico e o empregado que antes sonhava junto agora só é comunicado do sonho alheio através das metas.
O emprego que era um sonho passa a virar pesadelo. Pressão, intrigas, mudanças, custos e retração do mercado fazem a gente se distanciar dos nossos sonhos, dos sonhos da empresa e dos sonhos dos clientes.
Reclamação de cliente provoca um jogo de culpas sem fim: a culpa é do fulano, ou o erro é do fornecedor e ninguém quer ter nada com isso. Cadê toda aquela poesia que movia a busca do emprego ou o desafio de ser empreendedor?
Para resgatar os sonhos dentro das organizações é preciso compreender onde está o sonho de cada um. Criei um Diagrama de Gestão para facilitar esta compreensão e fortalecer a relação entre as pessoas que fazem parte do ciclo de uma empresa. Sejam clientes, empregados ou empregadores.
O diagrama tem a forma de um triângulo e cada lado refere-se aos sonhos do empregado, do empregador e do cliente.
O lado do empregador se encontra com o cliente e com os produtos formando um novo triângulo, o triângulo da imagem da empresa. O acionista (ou empregador), através de ações de marketing, comunica ao mercado a imagem da organização e espera que os clientes sejam seduzidos pelos produtos e iniciem uma relação de consumo.
O cliente, então, procura a empresa acreditando nas “promessas” do marketing e não é atendido pelo dono e sim pelo empregado. Neste momento ele forma um novo triângulo: o triângulo do atendimento que é formado pelos empregados, clientes e produtos. É praticamente impossível o empregado corresponder permanentemente ao que o empregador sonhou e comunicou ao cliente através do marketing. A insatisfação de todos começa aí. O sonho do cliente não é realizado pelo empregado que não sonhou junto com o empregador.
Para completar o diagrama verificamos que a relação empregador/produtos/empregado forma um novo triângulo. O triângulo da educação corporativa, do treinamento, dos sonhos corporativos. Neste triângulo os sonhos do acionista, do empregado e do cliente deveriam se convergir para dar suporte às ações de marketing e corresponder às expectativas dos clientes.
Em geral estes departamentos nas empresas apesar de alinhados com a estratégia têm vida própria. Departamentos de marketing, vendas e RH atuam quase que independentes ao longo do ano.
Com certeza o resgate da capacidade de alimentar nossos sonhos passa pela compreensão dos obstáculos que nos impedem de fazer isso no dia a dia.
Este diagrama nos permite refletir como andam as relações dos nossos sonhos com os sonhos dos clientes e dos acionistas. O sonho do planejamento estratégico só se realiza se for sonhado junto com os responsáveis por colocá-lo em prática junto aos consumidores. Os sonhos dos clientes só alimentam o processo produtivo se os empregados estiverem motivados a levá-los para dentro da empresa no triângulo de educação corporativa.
Provavelmente o triângulo da educação corporativa na maior parte das organizações precise de mais espaço para o sonho de todas as partes. Aquele sonho que moveu muitas pessoas a inaugurar a primeira loja, a primeira mercearia, a primeira microempresa. Aquele sonho que acabou quando a loja virou shopping, a mercearia virou supermercado e a microempresa ficou grande.
O paradoxo é que as pequenas empresas se permitem ter grandes sonhos e as grandes empresas nos fazem sonhar pequeno.
Mas o sonho continua sendo nosso combustível. O sonho é bom porque é universal, é grátis, pode ser individual e coletivo. Enquanto a gente não consegue sonhar na empresa, a gente sonha com o time de futebol, com a novela, com o ídolo ou com a pessoa amada.
OUTRAS COLUNAS:
- A visão do líder
- O sonho não pode acabar!
- Esforço ou resultado?
- A gestão do futuro
- Os filhos de Woodstock e a era do conhecimento
- O futuro do pretérito
- Piloto ou co-piloto?
|